Ontem (18 de novembro de 2009), partcipei de um encontro virtual, dicutindo empreendedorismo na WEB. Foi uma ação promovida pela TEIA MG, dentro da programação da Semana Global de Empreendedorismo.
Estive acompanhado do empreendedor NATAN SZTAMFATER da Portcasa , site especializado na comecialização de artigos de cama,mesa e banho e do jornalista MANUEL FERNANDEZ, diretor da revista Bites.
Eu gostei da experiência. Se você tiver interesse, o encontro esta disponivel abaixo
Quando ouvimos essa afirmação já sabemos que o outro lado da conversa não esta entendendo o que tentamos dizer. E essa é uma situação bastante comum.
O nosso pensamento, e consequentemente a nossa fala, esta diretamente contaminada pelos nossos valores, e esses mesmos valores, constroem filtros que interpretam tudo que ouvimos.
Por isso, muitas vezes quando alguma coisa não se encaixa nos nossos valores, não conseguimos entender.
Algumas vezes, as idéias são tão estranhas, que parecem que estão sendo ditas em grego. Bom, pelo menos existem dicionários grego-portugues
E o que isso tem a ver com inovação? É que muitas vezes inovação não é apenas grego, é sânscrito arcaico!
Há algum tempo eu vi um documentário que declarava que na chegada dos europeus à America, os nativos não enxergavam os navios. Não que eles não estivessem ali, mas como eles não tinham referencias previas, eles não conseguiam definir o que era aquilo e acabam não vendo os navios.
Agora imagine um empreendedor da novíssima geração, tentando explicar um novo modelo de negócios à um profissional da velha como eu. É preciso muito esforço, paciência e atenção para que essa conversa não se transforme em um papo em sânscrito arcaico.
Recentemente conversei com um jovem cujo negocio era reunir informações sobre manifestações artísticas que acontecem em um determinado período na cidade, organizá-las e diagramá-las com espaços para publicidade, no verso de um cartaz que é uma reprodução de uma destas manifestações artísticas. A receita vem da venda destes espaços publicitários, que é suficiente para bancar a operação de coleta de informações, a diagramação, a impressão e a distribuição dos cartazes em locais freqüentados por pessoas que se interessam por esse tipo de manifestação.
Em uma primeira analise, influenciado pelos meus valores pessoais, fui capaz de formular inúmeros pontos negativos ao projeto, mas iluminado por uma sabedoria superior, usei as minhas duas orelhas para ouvir mais, ao invés de falar “bobagens” com a minha única boca.
Na minha referencia pessoal esse negocio não se sustenta, mas eu tenho que considerar que não tenho todas as respostas, não sei como as pessoas que apreciam esse tipo de manifestação artística se comportam, quais as suas premissas, os seus conceitos, os seus valores.
Tive que reconhecer que poderia ter um super petroleiro na minha frente, e por causa dos meus valores pessoais, eu não conseguia vê-lo.
Minha sugestão, para esse empreendedor foi simples: buscar mais conhecimento sobre os seus potenciais clientes para alinhar as expectativas deles com as possibilidades de retorno do seu negocio, e principalmente procurar responder aquelas perguntas básicas:
• Meu produto ou serviço pode interessar a alguém? • Esse alguém esta disposto a pagar para ter esse produto ou serviço? • O que eles estão dispostos a pagar é suficiente para cobrir os meus custos e me proporcionar algum lucro?
Por que no final das contas, como diz a minha amiga Viviane Vilela, do Blog “Beco com Saída” :
Eu resolvi fazer o que venho pregando ao longo dos últimos 18 anos. Inovei na minha vida profissional. Abri mão do conforto do conhecido, do cotidiano, do seguro. Tratar de inovação para mim é uma ação confortável, cotidiana, segura. Na maioria das vezes consigo antecipar os problemas e as suas possíveis soluções. Isso facilita a vida, mas também a deixa um pouco monótona. Por isso aceitei um desafio. Começar de novo em uma outra disciplina, Gestão do Conhecimento. Para mim, essa disciplina não é conhecida, cotidiana e nem segura. Na realidade é totalmente desconhecida, o que por si só, já é emocionante. Aprender é sempre uma aventura.
Mas como dizem por ai, você pode tirar o sujeito da inovação, mas não pode tirar a inovação do sujeito. Assim, logo percebi que não teria graça fazer gestão do conhecimento da maneira tradicional, por isso estamos fazendo de uma maneira inovadora, não focando no conhecimento propriamente dito, mas na forma pela qual ele flui na organização. Para isso vamos usar ferramentas de Analise de Redes Sociais.
Não tenho conhecimento de outras experiências deste tipo. Se alguém conhecer alguma, por favor me avise.
Toda a ansiedade de começar uma coisa nova, a preparação, a busca e identificação de ferramentas adequadas, e o processo de aprendizagem em si, consumiram todo o meu esforço durante estes últimos meses, mas acredito que a fase mais difícil já passou. Na ultima sexta, dia 9 de outubro, que foi o aniversário do SEBRAE, terminamos a etapa de coleta de dados, e começaremos a analise dos resultados na próxima terça, depois do feriado.
Confesso que estou sentindo aquele friozinho na barriga, ansioso para ver os resultados. Será que a nossa abordagem vai dar certo? Será que conseguiremos bons resultados?
Sinceramente eu não sei. Mas essa incerteza é que torna o processo de inovação tão divertido!
Desculpem-me, mas eu tenho que volta a esse assunto. Ontem, 24 de junho, foi o lançamento do Projeto "99 Soluções Tecnológicas". Eu estive diretamente envolvido neste projeto desde o inicio e ele é a síntese de tudo que temos tentado demonstrar aqui neste blog: Inovação é possível para todos! Foi emocionante ver a Dona Vanda da Cerâmica Lucevans, em Panorama,SP contando que apesar das dificuldades ela tinha acabado uma transação de venda de créditos de carbono para a Alemanha. Ou o Roberto da Noxt em São José dos Campos, explicando que ele o sócio deixaram o conforto de bons empregos porque acreditam no seu negocio. Isso tudo e muito legal. Me emociona muito. Se você quiser ver essas ou outras historias de soluções inovadoras, ou ainda nos contar a sua solução inovadora, clique na imagem ao lado.
Uma prova disso esta no evento que acontecerá dia 24 de junho a partir das 19horas: o lançamento da publicação 99 Soluções Inovadoras, que relata a experiência de 99 pequenos negócios que acreditaram que era possível, foram atrás e inovaram.
Foi muito divertido fazer esse projeto, pois pudemos conversar com inúmeros empreendedores de pequenos negócios, desde agricultores até fabricantes de aviões, todos eles atendidos pelos produtos de inovação e tecnológica do SEBRAE-SP, entender como a inovação fez diferença e escolher os 99 para poder contar.
Esteja presente, e comprove o lançamento será no Auditório do CIEE na Rua Tabapuã, 445 em São Paulo. Confirmação de presença pelo telefone 0800-5700800
Acho que não. A crise esta ai para todo mundo ver. O que podemos questionar é se ela via ser mais ou menos grave, quanto tempo vai durar, se vai ou não nos afetar diretamente.
Em uma situção de crise a inovação assume um papel aina mais importante, e para explicar o porque desta importância , vamos tomar emprestado um conceito dos professores W. Chan Kim e Renée Mauborgne, defendido no livro “ A estratégia do oceano azul”.
Imagine a seguinte situação: em um oceano super povoado de peixes a comida disponível não é suficiente para que todos se alimentem. O que acaba acontecendo? É provável que os peixes se enfrentem entre si, numa batalha sangrenta onde muitos morrerão , outros ficarão feridos , mas com certeza o oceano ficara banhado de sangue. É o chamado oceano vermelho.
Segundo os professores Kim e Mauborgne, em uma situação normal de mercado, onde há uma grande concorrência, é isso que acontece. Os competidores acabam estabelecendo uma disputa sangrenta entre eles, atacando-se mutuamente . nestas condições a maioria não sobrevive.
Agora imagine se um destes peixes encontra um novo oceano, que os outros peixes ainda não acharam, o que acontece nesse oceano? Neste oceano não há disputa, não há sangue, é o chamado oceano azul.
Essa é a metáfora descreve uma situação de inovação, onde ao invés de competir em um mercado muito saturado, cria-se um novo mercado. Mas será que isso não tem riscos? Toda vez que a concorrência começar é só procurar um novo oceano que tudo se resolve, não é?
Não, não é. Como em toda atividade, existem riscos. Existem oceanos para todos? E se no oceano novo não tem comida? Esses são alguns dos riscos da inovação, dá trabalho tem que procurar muito e muitas vezes , simplesmente não funciona.Alem disso, mesmo quando encontramos um oceano legal, não da para mante-lo escondido por muito tempo, logo outros peixes chegam e acabam superpovoando um oceano que estava vazio. Por isso não podemos nos acomodar. Mesmo nadando em um oceano azul, precisamos estar sempre em busca de um outro oceano, ou seja, não basta ter sucesso em uma inovação, é preciso continuar inovando sempre.
Você já ouviu aquela historia do sujeito que patenteou o clipe de papel e depois viajou pelos Estados Unidos , fazendo acordos de licenciamento da sua invenção e com isso ficou milionário?
É mentira, poderia ser verdade mas é mentira.
A patente que ilustra esse post é de um cidadão norueguês chamado Johan Vaaler que é o suposto inventor do Clipe. Ela foi depositada na Alemanha em 1899 e nos Estados Unidos em 1901, entretanto a outra ilustração deste post é de um anuncio do Clip Gem datado 1894, o que invalida a patente do Sr. Vaaler. É mentira, mas poderia ser verdade. Muitas vezes, idéias simples colocadas em pratica, produzem um imenso resultado, caracterizando-se como uma inovação, mas vamos guardar essa informação para mais tarde.
E a comparação entre as patentes da Coréia e do Brasil depositadas no US Patent Office, você sabe alguma coisa a respeito?
Se você não sabe eu explico, no inicio dos anos 60, Brasil e Coréia tinham desempenho semelhante no tocante ao deposito de patentes no mercado norte americano. Passados 40 anos no final do século, o desempenho da Coréia é infinitamente superior ao do Brasil. Muita gente boa vem estudando esse assunto, mas podemos dizer que essa diferença é explicada por uma diferença na estratégia dos dois países. Enquanto a Coréia estabeleceu e praticou uma política industrial, e tecnológica estruturada e constante ao longo dos anos, no Brasil a coisa correu solta. A nossa política industrial, tecnológica e de comercio exterior somente foi implementada neste século. Mas isso explica tudo? Talvez não. O prof. Rodolfo Politano da Pos graduação do IPEN tem uma teoria interessante. Segundo ele tudo que é abundante tende a ser desprezado. Vejamos, até 1973, o petróleo era considerado uma matéria prima abundante. O barril custava em média US$3,00, ninguém se preocupava em controlar o consumo dos veículos. Isso só mudou com a expectativa da falta. Hoje em dia, muitas pessoas ainda consideram a água como abundante, desperdiçando-a das mais variadas formas e maneiras. Acho que isso é suficiente para que possamos concordar que a humanidade não dá valor aquilo que é abundante. Pois bem, criatividade é abundante no Brasil. Somos reconhecidos no mundo inteiro pelo famoso “jeitinho brasileiro”, mas isso ao invés de nos orgulhar, é motivo de vergonha. Quantos de nós, ao resolver um problema de uma forma nova, inusitada, diferente, não nos referimos a essa solução com sendo uma “gambiarra”? E como as “gambiarras” são abundantes em nosso meio, elas são desperdiçadas. Precisamos urgentemente, melhorar a nossa auto-estima e reconhecer que as idéias que aplicamos para a solução dos problemas, por mais simples que sejam, são idéias, e se resolvem o problema, são idéias bem sucedidas, e por isso merecem respeito. No século retrasado, alguém precisava manter papeis juntos, e entortando um arame chegou a uma solução diferente e inusitada. A diferença é que, mesmo que muitos tenham pensado que aquele arame torto usado pra prender papeis, era apenas uma “gambiarra”, alguém entendeu aquilo como uma boa idéia e uma oportunidade de negócios e o resto é história que se mistura com a lenda. É importante que como nação, o Brasil passe a se orgulhar de sua criatividade, e que o jogo de cintura , o jeitinho brasileiro, mereçam o devido respeito, e que dessa forma , possamos tirar proveito da nossa criatividade. A nossa historia é repleta de exemplos de idéias que não foram aproveitadas adequadamente. Isso acaba assumindo um caráter de anedota. Vejam esse video onde a Xuxa conta para as crianças, alguns destes casos.
Este video foi exibido pela Rede Globo no programa TV Xuxa de 05 de novembro de 2007
Sou consultor do SEBRAE-SP. Atuo a mais de 15 anos na area se Inovação e Acesso Tecnologia. Tenho estudado a inovação em alguns ambientes interessantes como o DPCT da UNICAMP, a Pos-Gradução Stricto Sensu no IPEN e o Forum de Inovação da FGV-SP